Que ferramentas e que feedback?


A principal ferramenta é, sem dúvida, a presença física e a voz humana. Se alguma "coisa" os momentos de confinamento por causa da Covid-19 nos deram certezas essa foi uma. Nada substitui a sala de aula física onde alunos e professores "coabitam" e desenvolvem o aprender. Os afetos são fundamentais e aprender a reagir através da expressão não verbal é muito importante.

Muitas vezes deparo-me com situações em que os alunos são incapazes de distinguir um esgar de desagrado de uma expressão de bonomia. E cada vez valorizam menos a comunicação verbal, considerando que podem dizer tudo mesmo que a expressão facial esteja a dizer o contrário daquilo que estão a pensar ou a sentir.  Confrontados com essa circunstância, ficam sem saber reagir, mas não contestam o que não deixa de ser interessante. Pode isso querer dizer que percebem o que se está a dizer quanto à aparente contradição entre o que estão a dizer e a sentir, mas não sabem como reagir sequer, porque também não sabem como evitar isso. Talvez isso resulte do facto de, digitalmente, poderem escolher o emoji para mostrar o que sentem ou escolher o emoji que acham que os outros vão querer ver/ler, mesmo que não corresponda ao que sentem. É complicado.

Ainda assim, as ferramentas digitais podem ser muito úteis, por exemplo, na classificação de itens de seleção, o googleForms.

Nesse tipo de exercício, os alunos têm automaticamente o resultado do seu desempenho e podem perceber pela solução a razão pela qual erraram. Aprendem. No entanto, às vezes, é necessária explicação adicional e isso é feito quase sempre através da troca da mensagens pela TEAMS. Ao longo dos três anos em que trabalho com os alunos (7.º, 8.º e 9.º Anos), vou promovendo esse tipo de interação que permita um acompanhamento de facto diferenciado além de estimular a vontade de os alunos perguntarem, logo, saberem, aprenderem.

Muito eficaz também é atribuição de emojis previamente definidos no princípio do ano como indicadores do nível de desempenho das tarefas.

Optei por trabalhar apenas com três níveis: Conseguiu atingir o objetivo pretendido; Tem de melhorar; Houve um erro. E neste último nível, o emoji não está triste. Defendo que não devemos associar a tristeza ao fracasso. Isso tem como consequência a autocomiseração e desenvolve frequentemente, nos alunos, a ideia de que não são capazes.

Assim, proponho que fiquem "zangados", explicando que , se trabalharam, estudaram, e o resultado não é, no mínimo, suficiente, é porque algo não ficou bem percebido e têm de refazer o estudo. Logo, devem ficar "zangados" para agir. Não tristes. Se não estudaram, maior deve ser a razão da "zanga"...

Nas propostas feitas através da microsoft forms, criadas na TEAMS, plataforma que usamos no meu agrupamento, é também possível enviar feedback de qualidade indicando em concreto os aspetos que podem/devem ser melhorados. E esse é sempre o princípio quando o erro acontece: sugerir melhorias. A utilização das rubricas, em particular as criadas no próprio sistema da TEAMS, também permitem distribuir feedback de qualidade dado que acompanham as tarefas desde o início das propostas feitas, permitindo assim também a mim como aos alunos a identificação rápida do que correu menos bem. Bem como, claro, a identificação dos aspetos mais bem conseguidos. 

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